Gestão de pessoas

Felicidade não dá trabalho

Temos visto diversas matérias falando sobre felicidade no trabalho. Algumas com o conteúdo remetendo a remuneração adequada dos colaboradores, outras falando sobre equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, estímulos a motivação, benefícios oferecidos pela empresa, etc.

Mas, afinal, qual afirmação é a correta?

 

Ambas estão corretas. Antes de explicarmos vamos conversa um pouco sobre recentes pesquisa realizadas no Brasil.

 

Segundo os dados publicados na Revista Você RH (fonte ISMA-BR (International Stress Management Association) 9 a cada 10 brasileiros sofre de ansiedade e desse número 47% tem algum tipo de depressão. Outro fator revelado na pesquisa é que para 60% dos brasileiros o trabalho é a causa para se sentirem cansados, irritados, tristes, sem energia e/ou nervosos.

felicidade

Pesquisas mostram que colaboradores felizes produzem mais e melhor.

 

Segundo a Right Managent (consultoria norte-americana de Recursos Humanos), a afirmação acima foi comprovada em uma pesquisa, onde mostra que organizações que investem no bem-estar dos colaboradores, estimulando-os positivamente aumenta em até 50% a produtividade destes em seu ambiente de trabalho.

 

Com os dados podemos ver os dois caminhos que se apresentam para as organizações hoje.

 

Não podemos desconsiderar que tudo passa pelo indivíduo. Se sua vida pessoal vai bem, este bem-estar se refletirá de alguma forma em sua vida profissional. Da mesma forma aontece quando não estamos bem. Como já comentamos no texto O equilibrista – Vida Pessoal X Vida Profissional, precisa existir uma sinergia entre os dois pontos. Isso porque as organizações exercem grande influência na vida das pessoas, afinal passamos mais da metade de nossas vidas trabalhando, passamos mais tempo no trabalho que em casa.

Motivação

 

Todos nós temos algo chamado motivação. A motivação é algo intrínseco de cada ser, mas isso não a isenta de ser estimulada positivamente ou negativamente. Por isso, estar bem na vida pessoal pode não ser o suficiente para estarmos felizes no trabalho.

 

Vamos analisar duas teorias, de Maslow e Herzberg.

 

Maslow dividiu a motivação do indivíduo em uma pirâmide ligada as satisfação de necessidades do indivíduo.

 

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Dentro das necessidades teorizadas por Maslow três pontos nos remetem como elementos, estímulos da motivação (Social, Estima e Autorrealização).

 

Já na outra teoria citada (Herzberg) temos a motivação dividade em dois fatores Higiênicos/Extrínseco e Motivacionais/Intrínseco.

 

Os fatores Higiênicos são referentes a organização: condições físicas e ambiente de trabalho, ergonomia, clima, estilo de gestão, políticas internas, etc.. Estes fatores estão fora do controle dos indivíduos.

 

Os fatores Motivacionais são referentes ao indivíduo como: as tarefas desempenhadas no cargo, crescimento profissional, desenvolvimento, aprimoramento, responsabilidade do cargo, autorrealização em cumprir suas responsabilidades, reconhecimento do seu trabalho, etc.

 

Ao passarmos pelas teorias apresentadas vemos que os dados apresentados acuma fazem sentido, e os questionamentos iniciais são extremamente relevantes e corretos, não podendo existir um sem o outro.

O que está acontecendo?

 

Mas por que ainda temos tantos números negativos? Por que mesmo com tantas evidências algumas organizações ainda não aprenderam que precisam investir nas felicidade do individuo?

 

Infelizmente temos resquícios pós-revolução industrial em muitas organizações aonde a visão é focada apenas no resultado e não o que nos faz chegar ao mesmo.

Ainda estamos presos 

 

Quando pensamos dessa forma (apenas números) não enxergamos o esforço das pessoas para chegar ao resultado; cobramos demasiadamente das pessoas; controlamos de mais, não levamos em contata os fatores que estimulam negativamente os indivíduos, colaboradores, pessoas de nossa organização.

 

Vemos vários exemplos de organizações que estão crescendo, mesmo em meio ao cenário desfavorável. O que podemos aprender com elas?

 

 Assim como o ser humano precisa equilibrar sua vida pessoal com a profisional a empresa também precisa entrar em sinergia, os números são importante, pois são evidências, mas é preciso ir além, é preciso cuidar do cenário humano. Como dito antes, os números são indícios para avaliarmos os resultados, mas a engrenagem que guia e leva para tais resultados, são as pessoas. O resultado alcançado pela empresa é a soma dos esforços e resultado do trabalho de cada indivíduo da organização.

 

Atualmente vemos que as empresa novas, criadas pela geração Y ou gerenciada pelos mais atentos e capacitados gestores têm focado na satisfação e felicidade dos colaboradores dentro da empresa.

 

Vamos pegar o exemplo do Google, que é conhecida como uma das pioneiras em investir em satisfação dos colaboradores.

 

No Google a importância das pessoas, olhando de fora, nos remete a um mundo perfeito aonde as pessoas trabalham em um parque de diversões. Mas não é este o caso.

 

Os fundadores do Google entenderam que as pessoas precisam ter estímulos para alcançar resultados. Estes estímulos vem desde um vídeo-game na sede da empresa, a flexibilidade de horários, ambientes clean, gestão do seu tempo (você não é escravo de uma rotina das 8:00 as 18:00) entre outros benefícios, tudo isso atrelado ao resultado individual de cada um.

 

A Resvista HSM publicou uma reportagem intitulada como “Operação Felicidade”, nela o CEO da SAS Institute(considerada umas das melhores empresas para se trabalhar no mundo, segundo a Top 25 Great Place to Work), James Goodnight, afirma na matéria que 95% dos seus ativos deixam os escritórios todos os dias às 5:00, e ele precisa desenvolver um meio que os motivem a voltar. Segundo ele: “colaboradores felizes geram clientes felizes” e  Se a família do colaborador de alguma maneira é prejudicada por causa do trabalho, o profissional não consegue atuar bem.”

 

Citamos estes  dois exemplos para mostrar que existem pontos em comum nas metodologias de pessoas adotadas por essas empresas.

 

Mas como promover a satisfação ou felicidade dos colaboradores no trabalho?

 

Já te antecipo que não é preciso que você tenha uma estrutura como Google ou SAS Institute para olhar e motivar as pessoas de sua organização.

 

Ainda, segundo a pesquisa da Right Managent, oferecer aos colaboradores flexibilidade, liberdade de agir e pensar, confiança, estímulo a inovação, premiações, reconhecimento, entre outras, são ações que demonstram o cuidado e consequentemente aumentam os resultados dos colaboradores.

Na prática

  Primeiro – Tente saber como as pessoas se sentem estando ali, busque um termômetro para medir isto. Nada melhor que uma Pesquisa de Clima para isso. Leve em conta os resultados da pesquisa, eles são reais, ainda que seja duro descobrir certos sentimentos da equipe.  

Segundo – Mostre que o emprego e a empresa valem a pena, é necessário uma alinhamento entre o discurso e plaquinhas penduradas nas paredes com os exemplos e ações dos líderes.

 

Terceiro – Valorize sua equipe, ouça o que eles dizem, elogie, recompense por bons resultados, dê palavras de auxilio e atenção quando necessário. Não ignore os problemas que algum membro de sua empresa tenha. Aproveite para auxilia-lo.

 

Quarto – Recompense ações positivas, desde ideias até a falta de absenteísmos. Folgas, viagens, ingressos para teatros/cinemas são boas recompensas para atividades concluídas com êxito. Flexibilidade em horários, principalmente para mães, universitários e pessoas que moram distantes.  Invista em cursos que aumentaram o aprendizado de time

Quinto – Deixe o controle para televisão.  Não queira dirigir cada passo de seus colaboradores. Direcione-os, converse, mostre seus feedbacks, mas dê liberdade para agir e pensar. Pois esta liberdade inspira, estimula a criatividade e inovação. Qual empresa não precisa inovar? Vantagem competitiva é o que todos buscam .

Sexto – Deve-se estimular o espirito colaborativo da equipe, os gestores devem evitar estimular competições desnecessárias em seu liderados, pois todos precisam entender que uma equipe como mesmo foco vai mais longe.

 

Sétimo– O último, mas não menos importante. Tenha uma estrutura justa de cargos e salários, isso demonstra transparência e valorização do individuo e suas atividades.

 

Como podemos observar aqui e por meio das pesquisas, todos os fatores citados no início do texto são importantes para gerar a tão esperada felicidade entre os colaboradores. Sabemos que não é uma tarefa fácil, mas é preciso, principalmente se o que a empresa busca é melhorar a qualidade de vida, aumentar o engajamento e comprometimento dos colaboradores.

 

Gestores – O que você tem feito que contribui com a felicidade de seus colaboradores?

 

Colaboradores – Qual ação você sugeriria para seus gestores?

 

Deixe aqui nos comentários.

 

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